Não basta não ser racista. Ser antirracista é um movimento constante.

Não basta não ser racista. Ser antirracista é um movimento constante. É conhecer, fazer parte, trazer para o seu universo conhecimento, conteúdo. É ter referências positivas que conectam o seu tema de interesse com a cultura e a história negra no Brasil. Essa lista foi colaborativa e é bem maior. Mas é um bom começo!

O QUE VOCÊ ESTÁ CONSUMINDO?

1 Afronta @afronta  – Série produzida pela Preta Portê Filmes e dirigida pela cineasta Juliana Vicente com 26 episódios de 15 minutos entrevistando nomes potentes que contam um pouco de suas trajetórias. Disponível na Netflix

2 Visionários da Quebrada @visionarixsdaquebrada – Documentário dirigido por Ana Carolina Martins apresenta narrativas plurais e potentes sobre o que está sendo produzido nas periferias da cidade de São Paulo (SP) e estão contribuindo para as transformações e ressignificações dos territórios.

3 Livros para crianças: “O pequeno príncipe preto”, escrito por Rodrigo França @rodrigofranca; “Sinto o que sinto” e “Caderno sem rimas da Maria”,  escrito por Lázaro Ramos @lazaroramosfc1; e “Amora”, escrito por Emicida @emicida são algumas das obras que indicamos nessa lista.

4 HQ Angola Janga @marcelo.dsalete – A história em quadrinhos é fruto de uma rica pesquisa sobre do Quilombo dos Palmares. A obra foi super premiada e traduzida para vários idiomas. O Estúdio Sue Real desenvolveu até um jogo baseado na obra.

5 Território LoveCraft (Intrinseca) / Lovecraft Country (HBO) – O livro e a adaptação para TV pela (HBO) redesenharam histórias de H. P. Lovecraft, escritor considerado um dos mestres do horror norte-americano, que reforçavam as ideias da segregação das leis de Jim Crow nos Estados Unidos. A versão adaptada mistura elementos do horror com o terror real do racismo.

6 Conceição Evaristo e “Olhos d’água” @conceicaoevaristooficial – A lista de autores é gigante. Mas precisamos ler, sem dúvidas, “Olhos d’água”, que retrata de forma  sensível e cortante as violências e dores de mulheres negras e periféricas. “A Gente combinamos de não morrer” é uma das frases marcantes de uma das personagens dos contos e que poderia ser a epígrafe dessa obra.

7 Afropunk @afropunk – Com o lema “we see you (nós vemos você), o coletivo realizado anualmente um festival em cidades com alto percentual de população negra: Nova Iorque, Atlanta (EUA), Paris (FR) e Joanesburgo (África do Sul). A edição de Salvador que seria em 2020 foi cancelada. Enquanto plataforma, oferece curadoria de notícias, música, artes, podcast.

8 Little Fires Everywhere (Hulu e Amazon Prime) – Pequenos incêndios por toda parte como metáfora. O que precisamos mudar para que velhas estruturas desapareçam?  A série fala sobre maternidade, paternalismo e questões raciais que não parecem estar lá, mas estão.

9 Game Dandara – A mulher que ficou conhecida por lutar ao lado de Zumbi em Palmares vira uma super heroína num jogo com visual retrô no estilo do SuperNintendo dos anos 90. Para contar essa história, os nomes das fases estão relacionados com a história da personagens e para todos os movimentos jo jogador, aparece a frase “as ações de Dandara não serão esquecidas”.

10 Nappy é um banco de imagens com fotos em alta resolução de pessoas negras e 100% gratuito. Uma solução para driblar a falta de diversidade comum nos bancos de imagem e que dificulta representar grupos mais diversos em imagens.

11 Okay África @okayafrica – Coletivo que conecta uma audiência global a referências culturais de países africanos (conteúdo em inglês)

12 Afrodyssee @afrodyssee e African prints in Fashion @africanprintsinfashion – Referências sobre tendências do mercado de fotografia, moda, design e arte de países africanos. As imagens publicadas nos perfis do instagram são uma coletânea perfeita de vários fotógrafos e países do continente africano.

COMO VOCÊ ESTÁ FALANDO?

Pensar práticas antirracistas para construir uma sociedade mais justa e igualitária começa com a revisão do jeito como falamos e ainda usamos palavras termos que incluem “preto”, “negro” com um sentido negativo (sem valor, ruim). E várias expressões que ainda utilizamos no nosso cotidiano tem conotação racista e eram usados para referir-se aos escravizados. Chamamos isso de racismo lingüístico.

A língua é fluida e adaptável ao contexto social. Precisamos compreender o contexto do passado para que consigamos construir um novo futuro. Nossa fala e comunicação precisa ser também antirracista.

Revisões e mudanças

1 A plataforma Tudo Começa Pelo Respeito da Rede Globo, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), produziu o filme “Lacunas”​. E propõe revisar algumas expressões populares e não falar a língua do racismo. “O respeito começa pelo jeito que a gente fala”.

A coisa tá (ao invés de preta: ________) / Humor (ao invés de negro: _________) / Não sou tuas (ao invés de negas: _________)

Serviço de (ao invés de preto: __________) / Ovelha (ao invés de negra: __________) / Lista (ao invés de negra:: __________)

2 O rapper Rincon Sapiência propõe inverter o uso da expressão “a coisa tá preta” na letra de uma música com o mesmo nome, fazendo referências a “coisas boas” e não mais ruins.

3 A origem do termo “mulata’: muita gente não conhece, mas o termo nomeia o filhote de um cavalo com jumenta ou de jumento com uma égua. A palavra popularizou sendo usada para se referir a mulheres mestiças, filhas de pais brancos e negros. E faz referência ao corpo negro feminino, constantemente, de forma sexualizada.

4 “Cabelo ruim” e “Beleza exótica”: em uma sociedade pautada pelo traços de pessoas brancas com padrão do que é considerado “bonito”, o termo refere-se a um tipo de beleza “diferente”, como se não fosse comum pessoas negras serem consideradas “belas”.

Projeto Qual a graça do professor de biologia Luiz Rosa, que ensina em uma escola municipal do Rio de Janeiro, catalogou com a ajuda dos alunos mais de 360 apelidos e expressões discriminatórias: cor de pele, mulata, cor do pecado, samba do crioulo doido, doméstica, ter um pé na cozinha, ,moren(o/a), negr(o/a) de traços finos, cabelo ruim, não sou tuas negas, denegrir, a coisa tá preta, serviço de preto, mercado negro, magia negra, lista negra, ovelha negra.

6 Para saber mais sobre o tema, acesse o ebook “Racismo Linguísitco”, escrito por Gabriel Nascimento, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (@ufsb_oficial ), escritor e cientista.

Marcas revisando linguagem como parte de práticas antirracistas

“Criado mudo, não! mesa de cabeceira”. Etna convidou clientes a  redecorar o vocabulário A marca propôs substituir o termo por mesa de cabeceira. A iniciativa foi seguida por outras marcas de móveis e decoração como Tok Stok e Mobly.

Marcas deixam de usar o termo Black Friday: Avon adota “Best Friday” e Boticário usa Beauty Week. A expressão que seria traduzida literalmente como “sexta-feira preta” e acaba associando a ideia de preto/negro a coisas de menor valor. A proposta é deixar de usar o termo como parte de práticas antirracistas.

Por Sulamita Santana e Nathalia Evelyn / Arte: Gustavo Zavanin
Publicado em 20/11/2020

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